Mariposa vermelha e negra
(...) Porque era como uma criança a quem disseram 'vai e não abre os olhos e ignora os arranhões' sem se preocupar com que crianças são curiosas e por curiosas são desobedientes e abrem os olhos só quando lhes dizem para não abri-los; e aí a imensidão lhes enche a vista na mesma hora, pois a vastidão imediata é muito agressiva e as horroriza tanto que não podem mais fechá-los e seguem andando só porque o corpo tem seu próprio saber, como se fosse o das plantas que respiram à noite e expiram de dia só pra que você as regue; e tremem as pobres crianças e choram, pois nunca lhes contaram que machucaria tanto (e nossa! seria como contar o final do filme) cada mariposa de uma nuvem de mariposas que era em conformidade com elas e justamente por causa das outras (e como doía o vento nas asas frágeis de precisa necessidade de continuar sendo! sozinha na dor de estar ali igual às outras) e a pele ardia sob o Sol. E a estrada que era reta com a escuridão de não vê-la torna-se reta apenas nos grãos de areia que não se pode enxergar pois que são a base de tudo, porque sobretudo, não era reta.
E quando escorre a primeira lágrima fria sulca a primeira estrada, e eis que tudo parecem estradas enquanto o descalor da lágrima chega ao chão e esfria os mesmos grãos de areia que antes permitiram que se andasse sobre eles - e eles estalam sob o calor resfriado, com o som das conexões que elas se negavam a ver. Mesmo assim, o absoluto parecia-se-lhes um velho ranzinza com um cachorro e uma arma no colo que diz não da sua cadeira na varanda, sem nem escutar um súplica; nem piscar lhes era permitido, donde sentiam que só as miragens eram reais, como só é real aquilo que se vê apenas e mais nada; quando se pedia a Deus para ser fulminado por um raio antes de pôr o pé seguinte no chão...
Uma vaga da velha dignidade pintaria-lhes as faces logo em seguida e ele olhou desaprovador para as joaninhas que em sua leviandade eram vermelhas e negras como só joaninhas podiam ser, e era como se a elas apenas fora dado o direito de ser vermelho e negro, e isso era como uma promessa de identidade e elas em resposta o encaravam com a boca cheia de inseto (como uma criança que, pega em falta, pára com um fiapo de macarrão pra fora da boca e, abdicando de moral para se justificar, sorve-o em seguida com muita calma despretensiosa). Estupefato com a desfaçatez das joaninhas, apertou o passo decidido a não compactuar com a ostensividade, pois lhe parecia que não havia de ser ostensivo - é que lhe escapava que para elas o processo é mais simples e termina logo antes de começarem a se reproduzir -, mas logo parou, pois se continuasse seria como o incauto que atravessa o sinal e é atropelado: a pressa não era permitida e 'afinal, não tenho três pés', pensou, suspirando de fingida desolação...
Uma vaga da velha dignidade pintaria-lhes as faces logo em seguida e ele olhou desaprovador para as joaninhas que em sua leviandade eram vermelhas e negras como só joaninhas podiam ser, e era como se a elas apenas fora dado o direito de ser vermelho e negro, e isso era como uma promessa de identidade e elas em resposta o encaravam com a boca cheia de inseto (como uma criança que, pega em falta, pára com um fiapo de macarrão pra fora da boca e, abdicando de moral para se justificar, sorve-o em seguida com muita calma despretensiosa). Estupefato com a desfaçatez das joaninhas, apertou o passo decidido a não compactuar com a ostensividade, pois lhe parecia que não havia de ser ostensivo - é que lhe escapava que para elas o processo é mais simples e termina logo antes de começarem a se reproduzir -, mas logo parou, pois se continuasse seria como o incauto que atravessa o sinal e é atropelado: a pressa não era permitida e 'afinal, não tenho três pés', pensou, suspirando de fingida desolação...


1 Comments:
olá...encontrei seu blog no orkut... gostei muito desses textos. são muito criativos. continue sempre investindo nesse blog. parabéns.
estou aberto a parcerias para divulgação quelquer coisa me retorna. abraços.
http://cidadevigiada.blogspot.com/
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