La mer des étoiles un de telle façon sec... - La douleur de vivre c'est bleu
Tinha um jeito quase que todo seu para fazer as coisas. Dizia e desdizia, e pensava que era original, tão cheio de si... E teve um dia, deve fazer um tempinho já, quando faltou luz. E só sobrou a luz das estrelas. Ele achava que já as tinha visto, muitas vezes, sempre igual, sempre iguais, mas pela primeira vez a viu-as refletida e refletidas nos rostos das pessoas. Havia tantas delas, de todos os tipos, tantas almas coloridas e diversas. E todas elas brilhavam com uma luz azul, amálgama de prata e anil. E dessa luz sugou toda a sua loucura, gritou como um doido varrido, pra que alguns desses rostos se voltassem pra ele. Subiu e subiu, sempre mais alto, o mais alto que pôde, ficou de pé sobre seu próprio eu até que os pudesse ver todos ao mesmo tempo: pequenos vaga-lumes, poeira de estrela em que as estrelas desfilavam; e os olhos, ah!, os olhos! eram a negrura assutadora do firmamento. Então percebeu que todas as coisas estavam em todas as coisas. Mas não sorriu. Chorou. Chorou um choro apertado, silencioso; chorou o choro das estrelas que se sentem tão sozinhas, por aí e por ali, em toda parte. E havia tantas delas e deles que não havia um sequer... Havia só o haver...Então chorou um choro de verdade, lavado de lágrimas, salgado como o mar que sempre tentara dizer-lhe tudo aquilo. Mas a violência dos seus sons não o permitiram, tinha muito medo dele. E seguiu chorando, olhando as estrelas das pessoas... E viu que a dor de viver era até a luz dos vaga-lumes. E só.


1 Comments:
E vaga-lumes vivem pouco... Também choraria num momento desses.
Meio que só em uma multidão. =/
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