23 September 2007

Wendhad

E eis que finalmente me movi de fato ou assim me pareceu. Mais do que os quilômetros percorridos, no entanto, senti na pele o próprio pensamento: a percepção causou mais estragos do que a idade jamais poderia causar. Não, dessa vez não culpo o tempo; ele foi até camarada, fez-se notar pela própria natureza de coisa que posiciona todas as outras na ordem mais saudável. Eu que me recusei a escutá-lo e me pus a caminho. Os minutos perdidos ou quase percorrendo a Paulista bem poderiam ter durado um segundo e isso teria significado o mesmo; mas as horas que passei em círculos bem as sinto dobradas: no fim, olhei pra baixo e vi a palma da minha própria mão...

17 September 2007

Wendfad...

Não consigo me mexer... Fecho os olhos e me imagino correndo, andando, revolvendo uma caneta entre os dedos, e então olho minhas mãos e elas estão paradas. Fecho os olhos outra vez e imagino as pernas se movendo e se cruzando, sendo pernas que se movem e se cruzam e quando os abro outra vez, estão paradas, sendo nada, porque pernas deveriam se mover e se cruzar... Ergo a cabeça um pouco e sinto que ela vai rolar e que vou poder ver do chão meu corpo sobre a cama.
Vou escorregando aos poucos, sinto como que uma coisa pegajosa sob as costas e reconheço a vontade e a vontade de vontade, mas continuo parado. Desespero, o mundo todo se torna ruído! Não reconheço nada e me aterroriza o medo da impercepção e o incômodo causado pela importância disso. Estendo a mão, enfim, porque ela só obedece aos seus hábitos: pego um comprimido e volto a me mexer. Não sei se me movo ou não, mas acho que sim...

02 September 2007

Rûmeriaith...

Minha imortalidade morre na ilusão que criei pra mim mesmo. Como, então, entre tantas personalidades, reconhecer qual "eu" foi bom e me permitiu descobrir o primeiro? De qualquer forma essa ilusão se chama como um alguém por que procuro desesperado e que não é mais do que um visitante do meu desejo. E tanto tempo passou... E um tempo tão pequeno acontece junto de mim.
Andar e correr e ficar preso no deserto, quando parecemos tanto conosco mesmos; quando insistimos em parecer conosco mesmos. Mas isso é fácil, já que não existe um "eu"... Então nos desfazemos de toda ilusão e criamos ou encontramos novas delas. Pela escuridão - a música, cantâmo-la e jogamos pedras que escorregam pela ponta dos dedos antes de não serem nada, mas existirem ecoando, porque ecoam. Talvez seja sempre assim e até agora é sempre agora...