31 May 2007

Ser ou não-ser? - Rû, mae rû...

Qual um amor feroz, dentro, uma guerra,
o Ser e o Estar que em si encerra,
é um veneno, uma luta a ferro,
que de medo em mim m'enterro.

Não ser, com tudo...

E raia o dia, se faz qual erro,
caminho não-sendo, o abismo negro,
que em pés suaves, se torna terra
de outro abismo que não se encerra.

(...) Ser, contudo...

by a little prince who fears to grow up...

14 May 2007

Porquês - Ennin cýnen...


Eu acreditei porque eu quis.

Eu indaguei porque não sabia.

Eu sou porque eu fui.

Eu quis por que eu acreditei?

Não sabia porque indaguei.

Eu fui por que eu sou?

Porque quis eu acreditei...

Não sabia por que indaguei...


Sou como um pássaro cego numa gaiola. Se pudesse ver, acharia que estou preso, e me indagaria o porquê. Se me indagasse o porquê, deixaria de ser livre, como era. Se me indagasse o porquê, poderiam-me arrancar à gaiola, e eu seria ainda um pássaro numa gaiola. Mas sou cego. Não me indago porquês e por isso posso aproveitar ao máximo essa liberdade em potencial. E um dia alguém virá, e me indagará o porquê, e então poderei abrir os olhos e ser livre. Os porquês são tão falaciosos quanto grades de ar...

Não compreendo os que pensam que os porquês remetem a uma coisa. Acho muito desatentos os que acham que os porquês remetem a duas coisas. Não direi mais nada.