29 October 2007

A invenção - I Dhrymna

E foi como um sonho estranho que trazia atrás de si a preocupação dolorosa de ser de fato. Pois eu soube então, sem sombra de dúvida, que tudo estava conectado e isso quer dizer que de fato há desse tudo. Ali, de pé no calor modorrento da noite no jardim, sentia-se o medo horrível de ser, es os passarinhos debochados riam-se da falta de tato humana, que não sabe ser. Mas eles não precisavam de razão... Tampouco precisam as pessoas, mas elas não sabem disso, e eis que como sempre me mantive de pé procurando uma razão pra ser quando não ser parecia muito mais propositado, com a falta de propósito que só se vê no que não é nem nunca será. Mas o que era me feria os olhos e me deixava à beira das lágrimas e era ostensivamente de uma maneira irreal e meio fantasiada que ainda por cima zombava de mim: '- eu sou e ainda me dou o luxo de ser em camadas, como uma torta torta, hahaha!', e aquilo me fez comprimir os lábios em digna desaprovação. Ora, ele também o fizera em seu tempo, como os anteriores a ele, mas de uma maneira menos certeira. Seu novo eu o fazia com a plenitude dos que finalmente abstinham-se de razões e porquês. Atirando-se afinal, gritou com toda a mudez que pôde reunir: '!'. E o mundo aplaudiu com mudez proporcional, pois já vira ato assim dezenas de vezes. As poucas pessoas que são seguiam achando que haviam inventado os saltos, de qualquer jeito, bem como o amor e tudo mais...

Homenagem à Ermelinda, que me ensinou tanto...