11 January 2007

Grace's poem! Gwende, mae 'wende, nû i aeg!


"You and me, we used to talk,
like a river underground, the sewer where we used to walk.
The hole at the end empties out to the pier,
where paper boats now disappear.

Me, I try to send this note,
float it like a paper boat.
But paper dissolves and words are weak,
I try to say, but I don't speak."

"Você e eu, nós costumávamos conversar,
como um rio subterrâneo, o esgoto onde constumávamos andar.
O buraco no final verte pra terminar no cais,
onde barcos de papel não navegam mais.

Quanto a mim, tento enviar essa lembrança,
que flutue como um barco de papel.
Mas papel desfaz e a palavra é fraca,
eu tento dizer mas perco a fala."


Às vezes nós temos tanto pra dizer, mas por fraqueza, medo, diplomacia ou raiva, calamos. Aff, e como resolver os problemas sem mencioná-los, mes élèves? Se alguém tiver a resposta, please, let me know. O fato é que chegamos a certos momentos em que nos é dada uma escolha. Como não sabemos tudo, e, muitas vezes, não entendemos os outros, temos que escolher baseados na própria dinâmica dos acontecimentos: sem entender o sentimento alheio com perfeição, atemo-nos a indícios de como os outros estão: se os indícios estão corretos, tudo vai bem; se os interpretamos mal, o caldo azeda. Muito cruel, de uma simplicidade matemática revoltante (alma ≠ matemátia, devia, sempre, ser assim!), bastante hegeliano, etc. É a vida, enfim.
Hoje, numa conversa corriqueira, surgiu uma dúvida que, conquanto seja fútil e inútil, é divertida: como nós seríamos se tivêssemos nascido no outro gênero? Minha priminha chegou à conclusão de que, enquanto filha única, seria um pouco egoísta, mas, de resto, bem como é agora. Eu, que tenho já uma relação mais peculiar com os gêneros, ponderei se minha vida não seria mais fácil. Bah, a verdade é que gosto de ser homem, diaxo! Coçar o saco, arrotar, e ao mesmo tempo poder compartilhar com as mulheres aquelas pequenas futilidades que lhes dão a graça e o encanto. Emperequetar-se, por mais superficial que pareça, representa mais do que simples vaidade, eu acho: é como um ricto, uma ascese em que se pesam os prós e contras do relacionamento humano, tomam-se decisões para o futuro e, claro, faz-se fuxico, mas eu abstraio essa última parte. Três vivas para os salões de beleza! Mas, a conclusão a que cheguei e que me pareceu mais importante foi que, simplesmente, o gênero é devéras irrelevante: deveria saber disso há mais tempo, mais o fato é que, chaninha, pênis, enfim, sexo e sexualidade não andam necessariamente juntos. Aprendi a abraçar minha sexualidade sem me preocupar com meu sexo. A cabeça é que diz quem somos, e nada mais. Deixar a vida ser malbaratada porque não dá pra fazer filhinhos e formar família? Bem, família é mais que simples sangue, e, quanto aos filhos, pra isso serve a cachaça.

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